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Manifestações da ansiedade durante a pandemia

O vídeo abaixo, feito para os alunos envolvidos com a SEFIS/UNICAMP, fala um pouco mais sobre os assuntos abordados em nosso post anterior. Define a evolução do autocontrole emocional em tempos de crises humanitárias, tais como a pandemia da COVID-19.

O ponto principal é lembrar que a crise atual pode ser comparada a uma maratona: se você disparar na largada, vai vomitar nos seus pés até o fim do mês. Esteja emocionalmente preparado para uma crise que vai durar 12 ou 24 meses, seguida de uma recuperação lenta. Se terminar antes, será uma surpresa agradável. Neste momento, trabalhe para estabelecer sua serenidade, sua produtividade e seu bem-estar sob condições prolongadas de desastre.

LUTO

As pessoas que perdem um ente querido por COVID-19 ou por algum outro complicador relacionado à pandemia (como a falta de atendimento médico, dificuldade para prestar socorro rápido, outras causas de morte que podem estar relacionadas mas sem confirmação), além da dor da perda, podem sofrer cobrança social, preconceito, estigma e discriminação.

Os familiares também podem ficar apreensivos com a possibilidade de que outra internação ou morte de mais um membro da família ocorra novamente. Sentimentos conflituosos sobre a perda podem aparecer e dificultar o processo de luto, como por
exemplo, sentir raiva e ao mesmo tempo amor. Pode haver a dúvida de que se a pessoa que se foi tomou ou não todos os cuidados de prevenção. E também é comum sentir raiva do empregador que não forneceu condições apropriadas de trabalho, julgar que os vizinhos que não tomaram precauções, raiva dos políticos e muitos outros pensamentos intrusivos que aumentam a sensação de tristeza e de desamparo.


É recorrente a busca incessante pelo motivo do contágio ou das doenças pré-existentes que poderiam ter agravado o quadro. Muitas vezes se incorre em culpabilização, seja daquele que partiu, seja dos que ficaram, ao se acreditar que a doença e morte foram causadas por algo que fizeram ou deixaram de fazer, aumentando ainda mais o sofrimento.

A COVID-19 ainda trás mais um agravante: a dificuldade, ou mesmo impossibilidade, de se fazer uma despedida, de ter uma última conversa com o ente amado, ou de ao menos se fazer um funeral – ritual de passagem valorizado em nossa cultura e que tem a função de organizar emoções. Nestas circunstâncias, o luto tende a se tonar mais complexo.

Há 50 anos está popularizado o Modelo de Kübler-Ross, proposto por Elisabeth Kübler-Ross no seu livro On Death and Dying (Sobre a Morte e o Morrer), publicado em 1969. A autora propoz uma descrição de cinco estágios discretos pelos quais as pessoas passam ao lidar com a perda, notícias negativas e tragédia. A autora percebeu, em seu trabalho com pacientes terminais, que frente a tais eventos, as pessoas tendem a entrar em um estado de autoculpabilização, autodepreciação e desamparo, sendo benéfica a ação de grupos de apoio para que, com a consciencialização do processo, a superação possa ser facilitada. O modelo foi muito popularizado em filmes, livros, séries de televisão e é conhecido como Os Cinco Estágios do Luto . 

Estes estágios seriam em primeiro lugar, a NEGAÇÃO, em que a pessoa tenta não entrar em contato com a dureza da realidade negando que aquilo esteja acontecendo. É algo como dizer que um virus mortal “não passa de uma gripezinha”. Este mecanismo de defesa contra o sofrimento pode ser muito intenso em algumas pessoas, que continuam negando a realidade mesmo com evidências claras do que está de fato acontecendo. Provavelmente você reconheceu aqui aquele seu conhecido que insiste em passear ou dar festas em plena pandemia.

Conforme a pessoa vai entrando em contato com o evento, pode vir um novo estágio, o da RAIVA. Aqui, mostrará sua revolta com todos aqueles que porventura venha a julgar como culpados pela sua situação, sendo muitas vezes o próprio ente querido que acabou de falecer. Para aqueles que estão dando suporte emocional (ajudando) a pessoa enlutada, é necessário ter essa compreensão que trará a paciência necessária para ouvir desabafos.

Depois da RAIVA, pode vir um estágio de NEGOCIAÇÃO, em que se buscam tratamentos alternativos, profissionais de saúde diferentes, líderes religiosos, dentre vários exemplos.

Finalmente, chega a fase da tristeza, no estágio da DEPRESSÃO. É uma tristeza necessária, que propicia a reflexão para a reorganização das emoções e da própria vida. Se a pessoa não tem alguma doença emocional pré-existente, não convém medicalizar a depressão ocasionada pelo luto, afinal, trata-se de um processo natural e necessário.

O último estágio pode vir a ser conquistado muitos anos depois e é a ACEITAÇÃO. Finalmente, a dor se transforma em saudade. Passa a ser possível falar sobre a pessoa amada sem chorar ou deprimir. A tristeza estará em um nível tolerável. Trará conforto homenagear o ente querido que se foi.

Pessoa solitária
Ketut Subiyanto no Pexels

Após 51 anos da publicação da obra de Kübler-Ross, sabemos que estes estágios não são fixos e nem sempre acontecem uma única vez. Algumas pessoas podem passar certo tempo alternando os estágios da RAIVA e da DEPRESSÃO, por exemplo. Assim como cada ser humano é único, a vivência de um processo de luto também será. E estas fases daí de cima ajudam apenas a entender o processo, mas nunca devem ser consideradas como um “manual do luto”.


Neste momento de pandemia, o luto dos sobreviventes enfrenta uma dificuldade de reconhecimento social, já que não é permitida a despedida da pessoa querida, seja em seus últimos momentos ou através de um velório. A pessoa enlutada pode, assim, não se sentir autorizada a falar sobre sua dor e/ou sobre quem morreu, inibindo a expressão de sentimentos. Nesse sentido, é importante estar atento para a possibilidade de haver um luto com maior risco de ser traumático, pois existe uma dificuldade maior de atribuir um significado para a perda, desencadeando sentimentos ambivalentes, como raiva e culpabilização. Diante de todas essas características, a repercussão da perda na dinâmica familiar pode ser intensificada durante a quarentena e, por isso, o cuidado em posvenção (atenção psicológica preventiva para quem sofre um luto complicado) é importante. Se você conhece alguém que está vivendo este sofrimento, há muito que pode fazer para ajudar:

  • Procure se fazer emocionalmente presente, ou, se não for possível o contato presencial, mostre o seu apoio através de mensagens, ligações e vídeo-chamada;
  • O essencial é mostrar que você está disposto a ouvir a pessoa. Muitos se preocupam com o que dizer, no entanto o enlutado necessita apenas não se sentir sozinho e poder falar livremente sobre os seus sentimentos, sem julgamentos;
  • Ajude a preparar algum tipo de memorial, que pode ser feito até mesmo através de alguma rede social ou aplicativo de reuniões – assim você se fará presente e respeitará a necessidade do distanciamento físico devido à pandemia.


Também ajuda facilitar a conecção da pessoa com serviços de apoio virtuais. Aqui vão algumas sugestões:

  • mapasaudemental.com.br
  • posvencaodosuicidio.com.br
  • www.cvv.org.br
  • E o Grupo de Atendimento On-Line em Terapia de Luto – COVID-19, organizado pela Escola Paulista de Enfermagem da UNIFESP. Os interessados devem realizar inscrição pelo e-mail [email protected] para agendar atendimento on-line.

ANSIEDADE EM TEMPOS DE COVID-19

Costuma-se falar na ansiedade no dia-a-dia como um problema, um tipo de vilão que perturba a nossa vida e afeta o nosso desempenho, chegando até a provocar doenças. No entanto, quando dentro de parâmetros de normalidade, a ansiedade é uma condição emocional construtiva e desejável, essencial ao desempenho do indivíduo. Ela só leva à diminuição da capacidade produtiva do indivíduo quando atinge intensidade patológica (excessiva) em situações em que temos uma forte reação emocional – que induziria uma resposta física de luta ou fuga – na ausência de perigo real.

Foto de Rene Asmussen no Pexels

É necessário diferenciar a ansiedade-traço – presente em indivíduos com alto grau de ansiedade basal, ou seja, aquelas pessoas que se diz que “nasceram ansiosas” – da ansiedade-estado, que é uma resposta ao momento que gera ansiedade. Segundo a OMS (2016), cerca de 33% da população mundial sofre de ansiedade.

Os distúrbios e transtornos de ansiedade podem ser classificados como ansiedade situacional (reação frente a um evento específico), ansiedade generalizada (pessoas que vivem constantemente ansiosas), ataques de pânico (vamos dedicar uma postagem a este problema em breve), fobias (como o medo de elevador, pombas, altura, dentre outros), Transtorno Obsessivo Compulsivo (recomendamos o filme “Toc toc”, uma explicação bem humorada do problema).

Pôster “TOC TOC”/ Divulgação

Os principais sintomas físicos da ansiedade são a hiperatividade neurovegetativa levando a manifestações somáticas variadas como hiperventilação, dispnéia, sudorese, tremores, taquicardia, desconforto gástrico/intestinal, alterações de apetite, alterações da libido, dor, dentre outros. Também vemos a presença de sintomas psíquicos, caracterizados como tensão, medo, apreensão, intranquilidade, dificuldades de concentração, insônia.

Independente do fator desencadeante, apresenta o desequilíbrio entre mediadores químicos estimulantes e depressores centrais:

Arquivo pessoal – o cérebro e a ansiedade

As alterações neuropsicológicas mais frequentemente encontradas nos Transtornos de Ansiedade englobam atenção e memória. Dentre os componentes da atenção, o controle inibitório de impulsos é o mais afetado. E quanto às funções mnêmicas, a memória de trabalho (aquela memória de curto prazo que usamos quando mantemos informações em mente para solucionar um problema, como em uma partida de xadrez, um cálculo mental ou para encontrar um caminho) é a mais prejudicada.

O indivíduo ansioso mostra preocupação constante com possíveis ameaças do ambiente. E, na ilusão de minimizar a incerteza sobre as ocorrências futuras, mantém um rastreamento constante do ambiente, focando a atenção de forma seletiva na procura de estímulos ameaçadores, o que reduz a capacidade atencional de estímulos diversos e do armazenamento e processamento da memória de trabalho. Indivíduos ansioso têm maior probabilidade de prestar atenção e processar estímulos relacionados à ameaça em detrimento de todo o resto.

Esta característica da ansiedade provoca a maior necessidade de esforço para tarefas e atividades não relacionadas à ameaça destinadas a melhorar o desempenho. As pessoas que sofrem de ansiedade não processam mais estímulos de conteúdo ameaçador do que controles saudáveis, mas sim, direcionam mais a atenção para estímulos ameaçadores.

Foto de Burst no Pexels

Podemos, então, compreender as dificuldades de atenção e memória. Pessoas ansiosas se mostram mais facilmente distraídas do que os controles normais e o aumento da distração é mais marcante com estímulos ameaçadores. Tendem a se distrair por estímulos irrelevantes à tarefa e, mais ainda, tendem a permitir que a atenção se prenda em um estímulo de conteúdo ameaçador. Isto resulta em menor capacidade atencional disponível para o desempenho de tarefas rotineiras. Notamos sinais comportamentais específicos quando a ansiedade ultrapassa o limite entre a ansiedade saudável e a patológica, tais como:

Arquivo pessoal – Sintomas comportamentais de ansiedade

Os sinais cognitivos também podem ser bastante incômodos e afetar a produtividade:

Arquivo pessoal – Sintomas cognitivos de ansiedade

As causas da ansiedade são muito variadas e podem ser:

  • sinais condicionados de punição, ou seja, reconhecer uma situação e associá-la a uma punição – por exemplo: perceber que o prazo para a entrega de um trabalho está se esgotando;
  • sinais condicionados de frustração, tais como perceber que irá perder o ônibus;
  • estímulos ou situações que representem novidade, como agora, a adaptação de rotina exigida pela pandemia como trabalhar e estudar em casa, necessidade de higienizar as mãos constantemente, vigiar para não colocar as mãos no rosto;
  • sinais de perigo, como ler as notícias do número de infectados e mortos pelo COVID-19.

A ansiedade pode ser também um “super poder” quando está dentro de limites saudáveis. Segundo a Lei de Yerkes-Dodson – Curva de Desempenho Ótimo ou “estado de fluxo”, há situações em que a ansiedade representa um pico de autorregulação, a máxima coalisão de emoções ao serviço do desempenho ou da aprendizagem. No “estado de fluxo” canalizamos emoções positivas em uma atividade energizada com a tarefa em questão. Nosso foco não se distrai, e sentimos uma alegria espontânea, até mesmo euforia. Essa zona de desempenho ótima foi chamada de “estado de harmonia neural”, em que as diferentes áreas do cérebro estão sincronizadas, trabalhando em conjunto. Isso também é visto como um estado de eficiência cognitiva máxima. Entrar em “estado de fluxo” permite que você utilize qualquer talento que tenha em níveis máximos.

Arquivo pessoal – Curva de desempenho ótimo

Observem que o desempenho pode ser ilustrado como uma curva gaussiana. O começo da elevação da curva representa um momento de tarefa simples, repetitiva, sem desafios. Neste momento, o indivíduo pode sentir-se entediado. Conforme a demanda da tarefa se eleva, o tédio se transforma em atividade calma e depois pode atingir um pico de estresse. Se esse pico não se prolongar por muito tempo, teremos um período de ótimo desempenho, em que o indivíduo se encontra energizado, focado, com maior facilidade nas atividades. Caso esse período de exigência maior de performance se estenda por muito tempo, pode provocar o esgotamento físico e mental intensos, em um estado que pode começar como fadiga, passar para a exaustão e culminar em um colapso – o que já pode trazer consequências mais sérias para a saúde geral.

Tarefas simples tais como lavar uma louça, por exemplo, também exigem atenção, acesso rápido à memória, aplicação de boas práticas, certa previsibilidade e risco moderado. As margens para obtenção de melhores rendimentos são amplas.

Arquivo pessoal – curva de stress para tarefas simples

Já para tarefas mais Tarefas complexas, teremos um pico de estresse pois exigem maior capacidade de adaptabilidade, atenção dividida, memória de trabalho, encadeamento lógico de tomadas de decisão, multitarefa. As margens estimadas para obtenção de melhores rendimentos são reduzidas.

E a ansiedade em tempos de quarentena?

AISHA AHMAD é professora-assistente de Ciências Políticas na Universidade de Toronto, no Canadá, onde também dá cursos avançados sobre Segurança Internacional. Através de pesquisas feitas no Afeganistão, Paquistão, Somália, Mali e Líbano, seu livro “Jihad & Co: Black Markets and Islamist Power” (2017), seu trabalho explora as motivações econômicas por trás dos conflitos no mundo islâmico. Este nosso texto é baseado em seu artigo publicado originalmente no “Chronicle of Higher Education” em 27/03/20.

Segundo Ahmad, em uma situação de caos social gerada por uma calamidade, desastre, guerra ou como a atual pandemia do COVID-19, não devemos nos entregar à suposição perigosa de que devemos lutar bravamente para manter um senso de normalidade, como se fosse possível apertar os cintos por um breve período, até que as coisas voltem ao normal. Isto porque nada vai voltar ao que era antes. A resposta para a pergunta que todo mundo está se fazendo — “Quando isso vai acabar?” — é simples é óbvia: nunca. E precisaremos então nos preparar para o novo normal.

Mesmo que a crise do coronavírus seja contida dentro de alguns meses, o legado dessa pandemia vai viver conosco por anos, talvez décadas. Isso vai mudar o modo como nos movemos, como construímos, como aprendemos e nos conectamos. É simplesmente impossível voltar à vida como se nada disso tivesse acontecido.

Foto 1 de Oleg Magni no Pexels / Foto 2 de cottonbro no Pexels / Foto 3 de Ketut Subiyanto no Pexels

Em um momento histórico como o que vivemos, afundar em um turbilhão de culpa por não manter um alto nível de atividade ou ficar obcecado com sua produtividade neste momento, não vai ajudar. Isso é negação e auto-ilusão. A resposta emocional e espiritualmente saudável seria se preparar para ser mudado para sempre. E, segundo as observações de Ahmad, esse processo de adaptação acontece em três estágios, detalhados a seguir.

Primeiro Estágio: Segurança

Nas primeiras semanas de crise, para facilitar sua adaptação e criar a base para suas conquistas futuras, é necessário que você se reserve um amplo espaço para fazer um ajuste mental. É perfeitamente normal e aceitável sentir-se mal ou perdido durante essa transição inicial. Lembram do texto que conceitua a ansiedade? Estamos vivendo aquele momento de ter toda a nossa atenção focada à compreensão do problema e localização das ameaças. Considere positivo que não esteja em negação e que está se permitindo trabalhar apesar da ansiedade. Nenhuma pessoa sã sente-se bem durante um desastre global, então agradeça pelo desconforto que sente. Saiba que você não está fracassando.

Foto de Andrea Piacquadio no Pexels

Livre-se das ideias profundamente toscas que você tem a respeito do que deveria estar fazendo agora. Em vez disso, seu foco deve se voltar prioritariamente para sua segurança física e mental. O que pode ajudar a superar esta fase inicial é aproveitar o lado bom da ansiedade, que nos faz enxergar rapidamente o que é necessário fazer para a nossa segurança. É o momento de focar em alimentação, família, amigos e talvez exercícios físicos. Neste começo de crise, sua prioridade deveria ser a segurança da sua casa. Adquira itens essenciais para sua dispensa, limpe seu lar e faça um plano de coordenação com sua família. Tenha conversas razoáveis sobre preparos de emergência com seus entes queridos. Se você é próximo de alguém que trabalha nos serviços de emergência ou num ramo essencial, redirecione suas energias e faça do apoio a essa pessoa uma prioridade. Identifique e cubra as necessidades dessas pessoas.

E tente se perdoar se você continua acordado às 3 da manhã, se esquecer de almoçar ou não conseguir fazer uma videoaula incrível e gratuita durante a quarenta de alemão. Está na hora de avaliar se é realmente um grande problema se você estiver há três semanas sem tocar naquele artigo-que-só-falta-revisar-e-submeter. Ignore tanto as pessoas que dizem estar super produtivas quanto as que reclamam de não conseguir fazer nada. Cada qual está em sua jornada. Corte esse ruído. Não importa como é o perfil da sua família: vocês vão ter que ser um time nas próximas semanas ou meses. A melhor maneira de construir um time é ser um bom companheiro de equipe. Monte uma estratégia para manter conexões sociais com distanciamento físico, identifique os vulneráveis e garanta que eles estejam incluídos e protegidos. Se você não montar essa infra-estrutura psicológica, o desafio das medidas de distanciamento social necessárias pode ser esmagador. Crie uma rede sustentável de apoio social — agora.

Foto de Matthias Zomer no Pexels

Segundo Estágio: Modificação Mental

Assim que estiver se sentindo mais seguro, você vai começar a se sentir mais estável e seu corpo e sua mente vão se adaptar. A partir daí, você poderá voltar a dar conta de desafios mais exigentes. Seu cérebro pode e vai reiniciar sob condições de crise e você vai reaver sua capacidade de trabalhar em alto nível. Porém, é inútil tentar forçar essa modificação mental. 

Este processo exige humildade e paciência.  Mantenha o foco nessa mudança interna.

Foto de Tuur Tisseghem no Pexels

Essas transformações humanas vão ser sinceras, cruas, feias, esperançosas, frustrantes, lindas e divinas — e serão mais lentas do que os acadêmicos atarefados estão acostumados. Seja lento. Permita-se ficar distraído. Deixe que isso mude o modo como você pensa e como você vê o mundo. Porque o nosso trabalho é o mundo. Que essa tragédia, enfim, nos faça derrubar todas as nossas suposições falhas e nos dê coragem para ter novas ideias.

Terceiro Estágio: Abrace o Novo Normal

Do outro lado dessa mudança, seu cérebro maravilhoso, criativo e resiliente estará te esperando.

Quando suas fundações estiverem sólidas, faça uma agenda semanal em que reserve blocos de tempo para as diferentes categorias do seu estudo e/ou trabalho e para as pessoas queridas. Faça primeiro as tarefas simples e vá abrindo caminho até os pesos-pesados. Acorde cedo. 

Neste momento, trabalho e estudo voltarão a fazer sentido, um novo sentido, e você estará mais confortável para mudar ou desfazer o que estava fazendo. Vão surgir ideias novas, que nunca lhe passariam pela cabeça se você tivesse ficado em negação. Continue abraçando sua modificação mental, tenha fé no processo e dê apoio a quem conta com você.

Lembre-se que isso é uma maratona: se você disparar na largada, vai vomitar nos seus pés até o fim do mês. Esteja emocionalmente preparado para uma crise que vai durar 12 ou 18 meses, seguida de uma recuperação lenta. Se terminar antes, será uma surpresa agradável. Neste momento, trabalhe para estabelecer sua serenidade, sua produtividade e seu bem-estar sob condições prolongadas de desastre.

Isto também vai passar.

Sabemos que virá o dia em que a pandemia estará acabada. Nossas fronteiras voltarão a se abrir para o livre movimento. Nossas economias, um dia, estarão recuperadas das recessões por vir.

Só que, agora, estamos no começo desta jornada. Muita gente ainda não entendeu o fato de que o mundo já mudou. Muitos de vocês se queixaram por sentirem-se distraídos ou culpados por não conseguir estudar muito ou assistir com atenção às aulas online. Enquanto isso, outros relatam um surto de produtividade – tudo isso é ruído, negação e ilusão. Neste momento, essa negação só serve para atrasar o processo fundamental da aceitação, que permite que possamos nos reinventar nessa nova realidade.

Do outro lado desta jornada de aceitação estão a esperança e a resiliência. Nós sabemos que podemos passar por isso, mesmo que dure anos. Nós seremos criativos e responsivos; vamos lutar em todas as brechas e recantos possíveis. Vamos aprender novas receitas e fazer amizades desconhecidas. Faremos projetos que nem podemos imaginar hoje e vamos inspirar estudantes que ainda estamos para conhecer. E vamos nos ajudar mutuamente. Não importa o que vier depois: juntos, estaremos preparados e fortalecidos. Em breve, mais textos para ajudar na construção de uma rotina para o novo normal!

Foto de Gustavo Fring no Pexels

SOBRE TRANSTORNOS DE ANSIEDADE E A PANDEMIA DO COVID-19

Estou recebendo várias questões de pacientes, familiares, amigos e, particularmente, dos organizadores da SEFIS/UNICAMP (que pediram uma “palestra” em forma de uma sequência de vídeos que você pode ver aqui) sobre as dificuldades emocionais e comportamentais relacionadas ao enfrentamento da pandemia de COVID-19. As pessoas se queixam de ansiedade, desatenção, tendência a procrastinar, desorganização, lentificação do comportamento e/ou do pensamento, frustração com o isolamento social, irritabilidade, tristeza, angústia, agitação, dificuldades de sono, alterações de apetite, dentre outras.

Foto de Nandhu Kumar no Pexels

 Entendemos que o enfrentamento de uma ameaça externa que provoca alterações significativas em nosso cotidiano só possa resultar em uma reação de ansiedade. Para entender melhor o assunto, primeiro vamos conceituar a ansiedade normal e patológica, depois você verá um texto específico sobre a ansiedade em situações de desastres e calamidades, e, por fim, dicas para a reorganização da rotina e para estudar melhor.

Segue o link de meu primeiro vídeo sobre o assunto, feito para os alunos ligados à SEFIS/UNICAMP:

Vamos sair dessa juntos!

Espero que aprecie a leitura de nossos próximos posts! Não deixe de trazer suas dúvidas e comentários!